Linha do tempo
Década de 1970
Em um contexto no qual guerras e golpes simultaneamente começam e terminam, ao longo da década de 1970, a filosofia de vida hippie se consolida, influenciando o pensamento, a moda, o comportamento e a música.
Enquanto a Revolução dos Cravos em Portugal, e o fim da Guerra no Vietnã, alimentam as esperanças de um mundo construído sobre as bases da paz e do amor, o Brasil vivencia o período mais duro da ditadura militar. Tendo a música de protesto como trilha sonora ao longo de toda a década, a atmosfera solar da Bossa Nova pede refúgio em terras estrangeiras. É o caso de Nara Leão que, no exílio em Paris, produz um dos mais belos discos de toda a Bossa Nova.
Em 21 de junho, o Brasil conquista o seu terceiro título mundial na Copa do
Mundo FIFA de 1970, sediada no México.
Sem lançar nenhum disco autoral desde “Wave” (1967), após um hiato de três
anos, Tom Jobim lança “Tide” e “Stone Flower” na sequência. Com arranjos
de Eumir Deodato, os discos privilegiam o repertório autoral do Maestro – exceto
por “Carinhoso” (Pixinguinha/João de Barro) em um, e “Aquarela do Brasil”
(Ary Barroso) em outro. Juntos, ambos constroem uma ponte que conduz a uma
nova fase da composição jobiniana, onde natureza, ecologia, reflexão e
introspecção dão o tom, abrindo caminhos para a chegada dos celebrados
“Matita Perê” (1973) e “Urubu” (1976).
Exilada em Paris, Nara Leão lança “Dez Anos Depois” (1971), um projeto que
marca o seu reencontro com a Bossa Nova. Com repertório formado por vinte e
quatro composições de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Johnny Alf, Carlos Lyra
e Baden Powell, o álbum duplo conta com a participação da violonista e
compositora Tuca, e direção de produção assinada por Roberto Menescal.
No dia 8 de agosto, Richard Nixon (37º presidente dos Estados Unidos)
apresenta a sua renúncia ao cargo, devido ao Escândalo de Watergate, um dos
maiores escândalos políticos da história do país.
Em 11 de julho, o cantor Agostinho dos Santos – conhecido mundialmente por
ser a voz de Orfeu na trilha sonora do filme “Orfeu Negro” de 1959 –, morre em
um trágico acidente de avião em Orly, na França.
Em 22 de fevereiro, começam as gravações do álbum “Elis & Tom”, em Los
Angeles. O seu lançamento celebra os dez anos de Elis Regina na gravadora
Philips.
Um dos conflitos mais longos da história recente, a Guerra do Vietnã termina
em 30 de abril, deixando um saldo de milhões de mortos.
Doze anos após o lançamento do álbum “Getz/Gilberto” (1964) João Gilberto
reencontra Stan Getz no álbum “The Best Of Two Worlds” (1976), onde divide
os vocais com Miúcha, sua segunda esposa e mãe da cantora Bebel Gilberto.
Em 18 de março, o pianista Francisco Tenório Jr. – que estava em turnê com
Toquinho e Vinicius de Moraes –, é sequestrado e assassinado por militares em
Buenos Aires, seis dias antes do golpe de estado que daria início à ditadura
militar argentina (1976-1983).
João Gilberto lança “Amoroso”, uma joia da discografia brasileira. Com
arranjos assinados por Claus Ogerman, o repertório formado majoritariamente
por composições de Tom Jobim, inclui uma gravação primorosa do clássico “‘S
Wonderful” (George/Ira Gershwin).
Após anos de repressão e perseguição da classe trabalhadora, em maio,
começam as greves operárias do ABC Paulista. Os movimentos grevistas
alcançam repercussão mundial, e influenciam diretamente o desenvolvimento do
cenário punk rock brasileiro que começa a emergir no final da década de 1970,
e tem o seu auge na década seguinte – tanto no grande ABC quanto na cidade
de São Paulo.
O Compact Disc é lançado em 8 de março, mas os primeiros CDs e aparelhos
serão comercializados apenas três anos depois. No Brasil, a novidade chegaria
apenas em 9 de abril de 1986. Curiosamente, o primeiro CD produzido e
comercializado nas lojas brasileiras seria “Garota de Ipanema” (1971), da
cantora Nara Leão.
A convite do líder sindical Luís Inácio Lula da Silva, no dia 1º de maio, Vinicius
de Moraes participa de um ato em Comemoração ao Dia do Trabalho em São
Bernardo do Campo, onde faz a leitura do poema “O Operário Em Construção”
(1959) para a multidão presente.
Em 28 de agosto, a chamada Lei da Anistia é sancionada pelo presidente João
Batista Figueiredo, abrindo caminhos para a redemocratização do Brasil.